Por que rimos quando alguém cai?




Por serem inesperados, os tombos criam uma incongruência, uma distorção da situação que gera hilaridade  
Cada pessoa desenvolve um tipo de senso de humor e a predileção de cada um é ligeiramente diferente. Mas certos aspectos fundamentais do humor ajudam a explicar porque um passo em falso pode despertar o riso, explica William Fry, psiquiatra e pesquisador do riso, da Universidade de Stanford.
O primeiro requisito é o “jogo da situação” quando um evento da vida real é colocado em um contexto de pouca seriedade, deixando espaço para uma reação psicológica atípica. A forma como o jogo da situação é encarada explica porque a maioria das pessoas não acha engraçado alguém cair de um prédio de dez andares e morrer: Nesse caso, a agonia da pessoa que cai impede que uma situação de pouca seriedade se estabeleça. Mas se uma mulher andando normalmente pela rua tropeça e cai, o jogo da situação pode se estabelecer e o observador achar o fato divertido.
Outra característica fundamental é a incongruência de uma situação, que pode ser interpretada como uma relação improvável ou contraditória entre a parte final e o contexto de experiência.
Os tombos são uma incongruência no decorrer da vida, por serem inesperados. Dessa forma, apesar de nossa reação inata de empatia a percepção da incongruência pode ser mais forte, uma vez que uma queda cria uma distorção da situação e a hilaridade logo aparece.
O jogo da situação e as incongruências são conceitos psicológicos; só recentemente a neurobiologia começou a estudá-los. No início dos anos 90 a descoberta de neurônios-espelho levou a um novo caminho para entender o lado da incongruência no humor. Quando caímos fazemos movimentos desconexos, tentando recuperar o equilíbrio e procurando um apoio em nós mesmos. Os neurônios do nosso cérebro controlam esses movimentos. Mas quando observamos outra pessoa tropeçar alguns de nossos neurônios agem com se fossemos nós a pessoa em queda – nossos neurônios-espelho reproduzem os padrões de atividade do cérebro da pessoa que está caindo.
Minha hipótese a respeito da importância desse mecanismo para explicar o riso é que o cérebro do observador “sente as cócegas” feitas por aquele “fantasma” neurológico. O observador experimenta um estímulo inconsciente que reforça a percepção da incongruência.

fonte: minilua

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